Bebo o mar
na boca dos meus dias,
na ânsia de matar a sede dos olhos.
Sorvo a maresia nos lábios,
mastigo o sal das areias.
Assisto o divagar das ondas,
ensaiando o vai-e-vem
para algum lugar que não se concretiza;
é a minha esperança imersa
na orla dos meus dias.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Pedro Noel da Luz
Compadeço-me
na reclusão dos dias,
jejuando uma saudade
que me penitencia.
E no confessionário
do sentimento,
exponho o meu maior pecado:
o amor que me nutre de você.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Paulo Jorge Costa Figueira

Caríssimos amigos, tenho o prazer de convidá-los para o lançamento dO meu livro 'Florada da Emoção', dia 17 de janeiro no São Luis Shopping às 19 hs.
São Luis, Maranhão, Brasil.

A tua presença lançou-se
Sobre os meus dias,
Tal qual a flecha de Eros,
Para contaminar-me
De uma emoção perdida,
Cujo eco ensurdecia
Somente a minha alma.
Agora, já atingida,
Bebo, comovida,
Da taça orvalhada das doces manhãs
De uma primavera anunciada
Para todos os meses do calendário.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Pedro Miguel Esteves Cardoso
Não fosse a severidade das montanhas,
Que me aponta
A sinuosidade do caminho,
Ter-me-ia chegado à nascente
Apaziguadora de todas as sedes.
A intermitência do desejo
Salva-me de uma secura
Mortalmente avassaladora.
Ainda não desisti de escalar
Os aclives da hesitação,
Para matar a minha sede
Fomentadora de todas as minhas
Silentes angústias.
Elizabeth F de Oliveira
Foto António O Matos
Antes que chegasses, encostei ao coração
a memória imaginada do teu rosto.
E comecei a amar-te quando disseste,
em segredo, quanta neve caiu sobre o teu peito.
Agora tudo será indelével nas palavras que me dizes.
Graça Pires
Em 'Quando as estevas entraram no poema'.
Foto Daniel Oliveira
Lamento
que da tua boca
sobressaiam silêncios;
que nos teus olhos
desenhem-se miragens.
Só me resta
extrair dos teus dedos
o contorno preciso
das linhas de afeto
que sublinham
vivências desenhadas
pela cumplicidade dos anseios.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Cláudia Barros
Compreendo a melancolia
Do nascente que sepulta,
A cada velho dia,
Os últimos raios de luz
Num poente instante.
As manhãs renascem
Para morrerem lentamente
No ocaso de todo dia.
Elas ensaiam,
Bem diante dos nossos olhos,
O momento derradeiro.
É quando tudo torna-se finito,
Efêmero,
Sem a mínima chance de absolvição.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Raphael o pensativo
Minhas mãos me doem
O caminho,
Calejam-me a caneta
De dedos de insistência.
A direção que me aponta
O papel é trajeto único,
Caminho sem volta,
Volta sem caminho,
Percurso sem curso,
Caminho que se desfaz,
Descaminho.
Quedo do cansaço,
Visto que sobre mim,
Ele caminha
E com palavras pisa-me
O itinerário de pensamentos;
Sem remetente,
Sem destinatário,
Mas com um guia de persistências.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Descaminho/Márcio Negrão

A certeza que carrego,
Marcada a fogo,
Dentro de mim,
Ampara-me a ansiedade da espera.
Não fossem os teus olhos,
Que me preconizam promessas,
Ter-me-ia perdido
No redemoinho de incertezas.
O meu caminho de espera,
Eu mesma traço,
Reinventando sonhos
Até a tua chegada.
Elizabeth F de Oliveira
Foto: Pedro Moreira

Recrutei os teus olhos
para que ficassem de prontidão
da minha observância.
São eles que iluminam-me
o caminho de vivências,
preteridas na insuficiência do tempo.
São eles que focam a minha busca,
mobilizando-me os anseios
no caminho da realização.
São eles, na verdade, os teus olhos,
que me recrutam,
para travar de saudade
a batalha de se me refletir.
Elizabeth F de Oliveira
Foto: autoria desconhecida

À luz da penumbra
silenciosa da noite,
tento repousar os anseios
que me trafegam
o sangue de ausências.
Nesse percurso gravado
por solitárias pegadas,
ouço passos
uníssonos aos meus.
Eis que surge
um cavaleiro andante,
que com sua pena
reescreve-me as páginas
já viradas de solidão,
contornando de palavras
e preenchendo com metáforas
os espaços dos devaneios
habitados pelo branco.
Nesse instante, sua mão
entrelaça de vontade a minha.
Elizabeth F de Oliveira
Foto João Vasco

Ainda me resta
Um pouco de poesia
Nas mãos tatuadas de desejo.
A caneta que resvala
Por entre os dedos
Não sacia a ânsia
Do toque das linhas do teu rosto
Ou do contorno das tuas mãos.
A necessidade que me consome
As mãos cria em mim
Um vazio eterno de solidão.
A poesia que ainda me resta
Inflama-me as palmas,
Ansiando-me resgatar da impossibilidade
Do preenchimento do desejo.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Miguel P. Dias

Peregrino no deserto da saudade
Em busca de um oásis
Que me flagre os sentidos,
Que me resgate do padecimento
Da espera.
Habito a aridez do sentimento,
À procura de uma miragem
Que me mate a sede dos olhos
E da boca.
Esse deserto ilusório e real
É o meu saara de sal
Encoberto por areias de saudade.
Sou peregrina da emoção,
Beduína da espera do oásis
Dos teus olhos.
Elizabeth F de Oliveira
Foto : Carlos e Maria
O fascínio dos teus olhos
Retesa-me as pálpebras,
congeladas na excitação
do sentimento.
Dispo-me o olhar ,
para que a nudez embriague
de delírio
o instante em que se tocam
as retinas, preenchendo
a necessidade mútua
do toque de afeto das mãos;
enlevo primeiro da reciprocidade
do desejo velado
na penumbra das pupilas.
Elizabeth F de Oliveira
Foto: Nuri
A chuva é a única chama
que caminha contra o vento.
Refaço seu lastro
com a insônia dos sapatos.
Enlouqueço de ternura,
indeciso entre o furor e o fulgor.
Desperto amarrado em alguma estrela,
servindo de referência
para o alinhamento das esferas.
Fabrício Carpinejar
Em 'Biografia de uma Árvore'.
Foto Mario Ferreira
O teu silêncio adormece-me
o sentido das palavras,
entorpece-me a semântica de viver;
e na eternidade atemporal,
mantém-me desperta a saudade latente.
O teu silêncio persiste em ausências,
ecoando em mim
o teu chamamento reticente.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Paulo Coelho
Meus olhos peregrinam
A lembrança da tua presença.
Reclusos dos teus olhos,
Eles tateiam solidão
Na escuridão da saudade,
Sem saber onde colocar os passos.
Mal acostumados com a luz das tuas retinas,
Meus olhos se perdem
Em um lugar onde não se faz caminho,
Sem a remota possibilidade de reencontro.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Zélia Paulo Silva
Não sei quantas luas
Ainda hei de aguardar
Nas noites em que me pesam
As estrelas.
Nessas horas,
O firmamento me ofusca
A retina do sentimento
E me recobra
Os sentidos de amargura,
Refletindo-me de vazios
Espelhados de solidão.
Elizabeth F de Oliveira
Foto: Luis Neves
A vida me amanhece
Pesando os minutos de se permitir.
Não sei se lá fora o sol
Se levanta guardando em si
Um propósito de realização
Ou se as horas que se aguardam
Na senda do existir
São fios de vivência que subsistem
No caos ardente das emoções.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto: José Luis Mendes
Somente tuas mãos
são capazes de atenuar
a dor que me excede
por entre os dedos.
Somente o teu abraço
pode devolver-me
o equilíbrio absente,
esquecido no caminho
extenuado do sentimento.
Eu te preciso-me
nos minutos da vida;
visto que eu-metade,
sozinha,
não me faço inteira,
só me faço saudade.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Antonio Maia

Em águas escuras de saudade,
navego una,
por entre a paisagem
semântica do meu sentimento.
Deslizo sobre uma emoção espelhada
de verdades veladas.
O barco que me conduz
me naufraga e me resgata
na sendas incendiadas
pelo verde que se dilata
em minha retina.
Una, eu e o rio, solitários e perdidos
em algum braço esquecido
de navegação.
Una, eu me reflito, nessa águas
que me conduzem ao coração.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto: Cássia C. Lopes
Rio Una em Morros- MA
Dedilho no violão
a inocência presente na infância.
Tento buscar na sonoridade das cordas
as notas que deram o tom perfeito
aos sonhos que um dia alimentei.
Quando tocar uma canção,
estarei dedilhando os anseios
dos acordes perdidos
na inconsequência do tempo.
Elizabeth F. de Oliveira
Noite aqui
No calor do sol
O lugar mais distante dessa terra
Quem virá
Dar a luz à luz
Na canção que atravessa o mar de estrelas
E vem se aninhar
Onde a dor jamais penetra?
Onde estás, no silêncio das fogueiras?
Noite em mim
Longe de você
Onde o sol se perdeu da primavera
Quem virá
Florescer a flor
Um amor que atravessa a longa espera
E vem se revelar
O que a dor jamais revela?
Vem me abraçar
Onde a dor jamais penetrará
Pois o amor é labirinto de caminhos
Que se encontram...
Música de Flávio Venturini e Juca Filho
CD Beija-flor
A vida mostrou seu decote profundo,
na esperança vã de seduzir o mundo.
Passou despercebida.
Por mais que ela insista,
não se lhe oferece chance de conquista.
Mas vale a tentativa:
só quando a vida ousa, permanece viva.
Flora Figueiredo
Em 'O trem que traz a noite'
Seminua,
A caneta se insinua
Transparente
Em um aparente
Jogo de sedução.
Promete plena satisfação
E momentos intermináveis
De prazer.
Como sempre obediente,
Sinto que vou aquiescer
E me render totalmente;
Para que entre os lençóis da cama,
Chegue então ao nirvana
Por ter-me de todo sucumbido.
E ao raiar do dia,
Não terei me arrependido
Por entregar-me à poesia
Nesse amor tão desmedido.
Elizabeth F. de Oliveira
Todos me falam de ti
com palavras ambíguas.
Fui, eu sei, uma suspeita
de luz em teu olhar.
Virados a levante,
os meus cabelos
eram labaredas em teus dedos.
Na hora do combate
me nomeavas,
como se rezasses.
Pinto-a na minha imaginação
como a desejo, tanto na beleza
como na nobreza, disseste.
E vejo a minha expressão
na cor dos teus olhos.
Tão cúmplice, eu,
de tamanho assombro.
Graça Pires
Em 'Uma extensa mancha de sonhos'
Para Cássia
O violino
É meu instrumento predileto,
É por ele que dissemino
Todo o meu afeto;
É com ele que afino
As notas da minha existência
E já escrevo com veemência
Na partitura da vida.
Não importa se a clave
É de Sol ou de Fa,
Sempre vai ter lugar
Para o que tiver bom som.
Quando estiver incorreto,
Eu corrijo o tom
Dos bemóis e sustenidos da vida,
Que um dia foi bem mais dolorida
Por não estar no compasso correto.
Ao tocar a primeira canção,
Transformei meu sonho em realidade
E tornei-me composição
Para minha perplexidade.
Elizabeth F. de Oliveira
Os flamboaiãs tecem um sopro de cores,
de partituras vivas a incandescerem
o azul, o incêndio da manhã aberta.
Todo o esquecimento, as ruínas
e os escombros do vivido, o fracasso
de não reter as semeaduras e os ventos,
silenciaram-se, súbitos, ante essa floração
mais viva que o tempo. Os flamboaiãs
ensinam-me a não morrer, a pulsar
mais que a efêmera passagem dos barcos,
dos pássaros em perene exílio. Inscrevo-me
nesse pólen, nessas chamas a inaugurarem
uma luz mais plena que a do sol.
Batizo-me nos galhos onde principiam
os astros e os quatro pontos cardeais.
Os flamboaiãs tecem, em mim, um outro
tempo, instante vivo de todas as florações.
Alexandre Bonafim
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Foto Fernando Gabeira
para Graça Pires
As tuas palavras
Cruzaram um oceano de espera
E declamaram em mim
Versos do teu entendimento,
Da tua poesia de viver;
ecos sentidos
nos quatro cantos da minha alma.
Elizabeth F. de Oliveira