segunda-feira, 5 de julho de 2010

HERÓIS


Inspirei-me na Odisséia de Homero
Para versejar meus sonhos;
Invoquei a força de Hércules para realizá-los.
Mas em algum momento,
A saudade abateu-se sobre mim,
Anulando a força dos meus heróis e
Quebrando todo o encanto que havia.
Tornei-me prisioneira,
Cativa de mim mesma,
Perdida, no labirinto dessa saudade.








Elizabeth F de Oliveira
Foto Julio Cezar Ramos Lobo

domingo, 4 de abril de 2010

ESCOLHA




Desesperei os olhos
quando me vi margeada
por uma sequência de abismos.
O recuo é póstumo,
o passo à frente, a absolvição.
Não é sempre que temos
a escolha do sepulcro.





Elizabeth F de Oliveira
Foto: Rui Serrano de Alegria

quinta-feira, 18 de março de 2010

PRESSA


Sublinho o horizonte
com as pegadas da minha retina;
contorno-lhe de metáforas,
vislumbrando um nascente
significativo de urgências.
O tempo não desliza languidamente
sobre os meus dias,
mas urge, numa pressa
devoradora de vida.
É preciso retomar
a trilha do amanhã,
que se insinua
em algum lugar do entardecer.







Elizabeth F de Oliveira
Foto Fernando Varela

terça-feira, 2 de março de 2010

INSÔNIA


Castelos de insônia
sombreavam a orla
da minha noite
à frente de um mar de silêncios

Onde meu sono
não anoitecia
nem amanhecia...

Longe, na pátria
dos desejos,
sereias faziam juras,
lançavam-me encantamentos...
mas meu coração
não cedia!

Passei a noite
de olhar a noite
enquanto lá
no mirante das estrelas


O tempo desfraldava -
lentamente -
um outro dia.


Jaime E. Cannes
Em Tarô para a Autotransformação e a Cura
Imagem Osho Zen Tarô

domingo, 20 de setembro de 2009

NO WHERE





Retorno ao ponto
de origem;
onde nunca estive,
de onde nunca saí.
Mas retorno,
sem sequer ter voltado.





Elizabeth F de Oliveira
Foto Gonçalo Cavaleiro

domingo, 9 de agosto de 2009

E chega um dia...



E chega um dia em que reconhecemos
finalmente
a injustiça das palavras -
exactamente as mesmas
para quem vai e para quem fica


um dia
em que não há mais passado para contar
nem mais futuro para viver


apenas uma velha cantiga a embalar
uma casa desaparecida
e este limbo ocasional
onde o corpo
espera que anoiteça





Alice Vieira
Em 'O Que Dói às Aves'
Foto Carla Salgueiro

domingo, 19 de abril de 2009

REVOADA






Mergulhei na revoada
multicolorida das borboletas,
na ânsia de confundir-me com elas.
Eram tantas asas sussurrando
em meu ouvido, que recordei
a iminência da liberdade
já traçada em meu peito.
Eram tantas asas,
que pude sentir
a leveza do pensamento,
há muito já alado,
aguardando somente o sopro
transparente de uma tal liberdade.






Elizabeth F de Oliveira
Foto Alberto Marques

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Busca


Quantos rosários de oração
hei de desfiar no silêncio das mãos?
Prece a prece, os dedos urgem
a proclamação de uma paz
jamais vista, jamais alcançada
na hesitação da vivência.
Os olhos testemunham tristes
a ansiedade que adormece
na busca dessa paz apaziguadora
das insistentes angústias.










Elizabeth F de Oliveira
Foto Cesar Guizzo

quinta-feira, 19 de março de 2009

Estações



Foi o outono, eu sei,
que esculpiu em meu rosto
as delicadezas do cansaço.
Foi ele que sulcou a minha pele
para arar de lucidez
a minha última estação.
O verão, tão próspero de vida,
não retornará à minha existência.
Mas poderei me aquecer
com a lenha de sentimentos,
que ainda arde em meu peito.
É com ela que construo fogueiras
e aqueço as lembranças
das estações passadas.




Elizabeth F de Oliveira
Foto Vanessa Schwark

quarta-feira, 4 de março de 2009

NOVO CAMINHO






Entreolho a noite
como quem desconfia
da possibilidade da manhã.
Recolho os passos de solidão
e recuo no trajeto das hesitações.
Redescubro um caminho novo
tatuado de nem tão utópicas realizações.
A vida é mapeada de escolhas.






Elizabeth F de Oliveira
Foto Bruno Raposo

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ORLA





Bebo o mar
na boca dos meus dias,
na ânsia de matar a sede dos olhos.
Sorvo a maresia nos lábios,
mastigo o sal das areias.
Assisto o divagar das ondas,
ensaiando o vai-e-vem
para algum lugar que não se concretiza;
é a minha esperança imersa
na orla dos meus dias.







Elizabeth F. de Oliveira
Foto Pedro Noel da Luz

sábado, 24 de janeiro de 2009

CONFESSIONÁRIO





Compadeço-me
na reclusão dos dias,
jejuando uma saudade
que me penitencia.
E no confessionário
do sentimento,
exponho o meu maior pecado:
o amor que me nutre de você.






Elizabeth F de Oliveira
Foto Paulo Jorge Costa Figueira

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Florada da Emoção





Caríssimos amigos, tenho o prazer de convidá-los para o lançamento dO meu livro 'Florada da Emoção', dia 17 de janeiro no São Luis Shopping às 19 hs.


São Luis, Maranhão, Brasil.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Primavera





A tua presença lançou-se
Sobre os meus dias,
Tal qual a flecha de Eros,
Para contaminar-me
De uma emoção perdida,
Cujo eco ensurdecia
Somente a minha alma.
Agora, já atingida,
Bebo, comovida,
Da taça orvalhada das doces manhãs
De uma primavera anunciada
Para todos os meses do calendário.





Elizabeth F de Oliveira
Foto Pedro Miguel Esteves Cardoso

sábado, 27 de dezembro de 2008

Nascente




Não fosse a severidade das montanhas,
Que me aponta
A sinuosidade do caminho,
Ter-me-ia chegado à nascente
Apaziguadora de todas as sedes.
A intermitência do desejo
Salva-me de uma secura
Mortalmente avassaladora.
Ainda não desisti de escalar
Os aclives da hesitação,
Para matar a minha sede
Fomentadora de todas as minhas
Silentes angústias.





Elizabeth F de Oliveira
Foto António O Matos

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Antes que chegasses...





Antes que chegasses, encostei ao coração
a memória imaginada do teu rosto.
E comecei a amar-te quando disseste,
em segredo, quanta neve caiu sobre o teu peito.
Agora tudo será indelével nas palavras que me dizes.







Graça Pires
Em 'Quando as estevas entraram no poema'.
Foto Daniel Oliveira

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cumplicidade


Lamento
que da tua boca
sobressaiam silêncios;
que nos teus olhos
desenhem-se miragens.
Só me resta
extrair dos teus dedos
o contorno preciso
das linhas de afeto
que sublinham
vivências desenhadas
pela cumplicidade dos anseios.






Elizabeth F de Oliveira
Foto Cláudia Barros

sábado, 15 de novembro de 2008

Manhãs




Compreendo a melancolia
Do nascente que sepulta,
A cada velho dia,
Os últimos raios de luz
Num poente instante.
As manhãs renascem
Para morrerem lentamente
No ocaso de todo dia.
Elas ensaiam,
Bem diante dos nossos olhos,
O momento derradeiro.
É quando tudo torna-se finito,
Efêmero,
Sem a mínima chance de absolvição.





Elizabeth F de Oliveira
Foto Raphael o pensativo

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Descaminho


Minhas mãos me doem
O caminho,
Calejam-me a caneta
De dedos de insistência.
A direção que me aponta
O papel é trajeto único,
Caminho sem volta,
Volta sem caminho,
Percurso sem curso,
Caminho que se desfaz,
Descaminho.
Quedo do cansaço,
Visto que sobre mim,
Ele caminha
E com palavras pisa-me
O itinerário de pensamentos;
Sem remetente,
Sem destinatário,
Mas com um guia de persistências.






Elizabeth F de Oliveira
Foto Descaminho/Márcio Negrão

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Chegada




A certeza que carrego,
Marcada a fogo,
Dentro de mim,
Ampara-me a ansiedade da espera.
Não fossem os teus olhos,
Que me preconizam promessas,
Ter-me-ia perdido
No redemoinho de incertezas.
O meu caminho de espera,
Eu mesma traço,
Reinventando sonhos
Até a tua chegada.







Elizabeth F de Oliveira
Foto: Pedro Moreira

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Recrutamento



Recrutei os teus olhos
para que ficassem de prontidão
da minha observância.
São eles que iluminam-me
o caminho de vivências,
preteridas na insuficiência do tempo.
São eles que focam a minha busca,
mobilizando-me os anseios
no caminho da realização.
São eles, na verdade, os teus olhos,
que me recrutam,
para travar de saudade
a batalha de se me refletir.







Elizabeth F de Oliveira
Foto: autoria desconhecida


terça-feira, 30 de setembro de 2008

Cavaleiro Andante





À luz da penumbra
silenciosa da noite,
tento repousar os anseios
que me trafegam
o sangue de ausências.
Nesse percurso gravado
por solitárias pegadas,
ouço passos
uníssonos aos meus.
Eis que surge
um cavaleiro andante,
que com sua pena
reescreve-me as páginas
já viradas de solidão,
contornando de palavras
e preenchendo com metáforas
os espaços dos devaneios
habitados pelo branco.
Nesse instante, sua mão
entrelaça de vontade a minha.







Elizabeth F de Oliveira
Foto João Vasco

domingo, 21 de setembro de 2008

Mãos




Ainda me resta
Um pouco de poesia
Nas mãos tatuadas de desejo.
A caneta que resvala
Por entre os dedos
Não sacia a ânsia
Do toque das linhas do teu rosto
Ou do contorno das tuas mãos.
A necessidade que me consome
As mãos cria em mim
Um vazio eterno de solidão.
A poesia que ainda me resta
Inflama-me as palmas,
Ansiando-me resgatar da impossibilidade
Do preenchimento do desejo.





Elizabeth F de Oliveira
Foto Miguel P. Dias

sábado, 13 de setembro de 2008

Deserto




Peregrino no deserto da saudade
Em busca de um oásis
Que me flagre os sentidos,
Que me resgate do padecimento
Da espera.
Habito a aridez do sentimento,
À procura de uma miragem
Que me mate a sede dos olhos
E da boca.
Esse deserto ilusório e real
É o meu saara de sal
Encoberto por areias de saudade.
Sou peregrina da emoção,
Beduína da espera do oásis
Dos teus olhos.





Elizabeth F de Oliveira
Foto : Carlos e Maria

sábado, 6 de setembro de 2008

Nudez



O fascínio dos teus olhos
Retesa-me as pálpebras,
congeladas na excitação
do sentimento.
Dispo-me o olhar ,
para que a nudez embriague
de delírio
o instante em que se tocam
as retinas, preenchendo
a necessidade mútua
do toque de afeto das mãos;
enlevo primeiro da reciprocidade
do desejo velado
na penumbra das pupilas.




Elizabeth F de Oliveira
Foto: Nuri

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A chuva...


A chuva é a única chama
que caminha contra o vento.
Refaço seu lastro
com a insônia dos sapatos.

Enlouqueço de ternura,
indeciso entre o furor e o fulgor.
Desperto amarrado em alguma estrela,
servindo de referência
para o alinhamento das esferas.





Fabrício Carpinejar
Em 'Biografia de uma Árvore'.
Foto Mario Ferreira

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

TEU SILÊNCIO




O teu silêncio adormece-me
o sentido das palavras,
entorpece-me a semântica de viver;
e na eternidade atemporal,

mantém-me desperta a saudade latente.
O teu silêncio persiste em ausências,
ecoando em mim
o teu chamamento reticente.







Elizabeth F. de Oliveira
Foto Paulo Coelho

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Meus Olhos



Meus olhos peregrinam
A lembrança da tua presença.
Reclusos dos teus olhos,
Eles tateiam solidão
Na escuridão da saudade,
Sem saber onde colocar os passos.
Mal acostumados com a luz das tuas retinas,
Meus olhos se perdem
Em um lugar onde não se faz caminho,
Sem a remota possibilidade de reencontro.





Elizabeth F de Oliveira
Foto Zélia Paulo Silva

domingo, 10 de agosto de 2008

NOITE




Não sei quantas luas
Ainda hei de aguardar
Nas noites em que me pesam
As estrelas.
Nessas horas,
O firmamento me ofusca
A retina do sentimento
E me recobra
Os sentidos de amargura,
Refletindo-me de vazios
Espelhados de solidão.










Elizabeth F de Oliveira
Foto: Luis Neves

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Amanhecendo





A vida me amanhece
Pesando os minutos de se permitir.
Não sei se lá fora o sol
Se levanta guardando em si
Um propósito de realização
Ou se as horas que se aguardam
Na senda do existir
São fios de vivência que subsistem
No caos ardente das emoções.








Elizabeth F. de Oliveira
Foto: José Luis Mendes