quarta-feira, 30 de maio de 2012
CAMINHO
Peregrino, incansavelmente,
um caminho tingido por uma saudade,
na rota ao sul da solidão mais errante.
Um caminho circunscrito
por solitários campos,
arados indelevelmente
pela enigmática perfeição do silêncio.
Elizabeth F. de Oliveira
terça-feira, 1 de maio de 2012
O TEATRO MÁGICO
para Greice
deram-se as mãos,
num gesto cúmplice de afeto.
E, de autenticidade,
pintaram-se os rostos,
para que, somente pelos olhos e pela boca,
fulgurasse a magia de um teatro
impregnado de sons e palavras,
ideias e ideais,
partilhando um pão carinhosamente
levedado por acordes e versos;
flagrante fascínio
de uma plateia cativa de sonhos.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto: informe a autoria
O Teatro Mágico http://oteatromagico.mus.br/
quinta-feira, 12 de abril de 2012
UMA VARA DE MEDIR O SOL

Envelhecemos com uma vara
de medir o sol na linha do olhar.
Não entendemos os sinais inscritos
nas margens do abismo.
Nem os bosques onde se abrigam
as sombras e a chuva.
Nem a misteriosa relação dos astros
no lado mais silencioso dos céus.
Um surdo alvoroço ecoa, fúnebre, na paisagem
quando, para além das montanhas, o piar dos pássaros
é tão nítido como o sopro do medo que transtorna
a leve inclinação das planícies.
Graça Pires
Uma Vara de Medir o Sol
É com grande prazer que recomendo o livro UMA VARA DE MEDIR O SOL, pela Editora Itermeios, da consagrada poeta portuguesa Graça Pires. Como é seu primeiro lançamento no Brasil, é uma oportunidade única de conhecer um pouco do trabalho dessa grande poeta. E tenho certeza de que, quem fizer a aquisição, terá em suas mãos não somente um livro de poesia, mas um rosário inteiro de emoções desfiadas sob uma luz intensa de metáforas capazes de nos deixar perplexos, tamanha a intimidade que a autora com elas mantém.
Ao clicar no título dessa postagem, você será redirecionado ao site da editora para a adquisição do livro.
Boa leitura!
UMA VARA DE MEDIR O SOL de Graça Pires
O imaginário poético de” Uma vara de medir o sol” elabora-se a partir de silêncios e memórias.
Aqui se procura, no pleno dizer dos sentidos, a geografia das coisas amadas e sofridas.
Aqui se revela a inquietude de quem vê com perplexidade e assombro o nosso mundo, quando reparamos nele com o olhar de uma descoberta mais lúcida.
Aqui se teme que a persistente proximidade do abismo aumente o nosso desamparo e os nossos medos, habitantes que somos do mesmo espaço onde que se acoitam pressentimentos e angústias primordiais.
Aqui se tenta ficar mais perto de um território filtrado pela luz de pretéritos crepúsculos e de límpidas manhãs futuras.
Editora Intermeios
segunda-feira, 5 de março de 2012
MÍTICO

Percorro as palavras
num ritual antigo,
ancestral das minhas emoções,
para nomear o teu lendário regresso.
Porque são as palavras
o invólucro perfeito do desejo,
a redoma mantenedora
de todos os significados.
E neste universo de infinitas
etimologias, preservo intacta
a semântica da tua imagem,
já mítica,
no esboço da minha memória.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Ricardo Almeida
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
CUMPLICIDADE
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
LABIRINTOS

Perpetuo, nos olhos,
a solidão de todos os labirintos.
Porque a solidão por si só
não basta,
é preciso também estar condenada
a um caminho sem volta,
isento de possíveis regressos;
um caminho circunscrito
pela eternidade de um agora que
jamais será pretérito,
jamais será memória.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto: Mychelle de Andrade Pavão
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
NATAL

Leio o teu nome
na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
no milagre dobrado
de ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
meninos pobres em currais de gado,
crianças que são ânsias alargadas
de horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
a divindade é o menos.
Miguel Torga
Foto: autoria desconhecida
terça-feira, 15 de novembro de 2011
SOMBRA
terça-feira, 27 de setembro de 2011
CLARIVIDÊNCIA
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
FIRMAMENTO
A inerme ingenuidade das manhãs
esconde o rito latente dos cotidianos;
ameniza,
com um tênue traço de candura,
a pressa frenética com que se
deflagra a vida.
Anônimos, permaneceremos,
com uma velada promessa
nos olhos de um azul eterno,
sob um céu nítido de esperanças.
Elizabeth F de Oliveira
Foto sem autoria
terça-feira, 31 de maio de 2011
EXTRADIÇÃO

Entre mim e ti
há um caminho
pontilhado de reticências,
há um desassossego
nos parênteses da espera.
Não sei se pontuo de interrogação
o muro de equívocos
que nos separa
ou se aguardo pacientemente,
nas entrelinhas da saudade,
a etimologia do teu regresso;
pois é aqui nesse exílio,
que, por ti, sempre realizo
a extradição poética
das minhas palavras.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Daniel Pedrogam
terça-feira, 17 de maio de 2011
RETOQUE

Retoquei a linha do horizonte
no afã de me livrar
do crepúsculo da solidão,
penumbra prematura da minha sede.
Mas meus olhos divagaram
perplexos de saudade,
confinando-se voluntariamente
no último instante do poente da memória,
à espera de um milagre
na rutilância secreta dos teus olhos.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Álvaro Manuel Mendes Cordeiro
segunda-feira, 11 de abril de 2011
SEM NOME

Sobrevivi ao naufrágio
de uma saudade avassaladora
de sonhos imperfeitos.
Vagas sem rumo de mim,
ondas revoltas
sobre o meu barco sem mar,
e uma bússola de incertezas
orientando o norte do meu peito.
Sobrevivi, resgatada
por uma das ilhas desertas
da minha solidão sem nome.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Teutoaero
segunda-feira, 28 de março de 2011
ARTE
terça-feira, 15 de março de 2011
GRATIA
quarta-feira, 2 de março de 2011
MEIA-LUZ

Sempre vivi
Intercalada de saudades,
mergulhada, semanticamente,
na latência dos sonhos.
É como se a aurora
nunca raiasse em meus dias,
coexistindo em mim
um crepúsculo permanente de vida.
A timidez da luz
sempre foi constante
no céu do meu domínio,
instaurando perenemente
uma meia-claridade de sonhos
e velados anseios.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Bluu
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
SILÊNCIOS
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
UM INSTANTE

Quando o cansaço cerra
os meus olhos com a lâmina
pesada do cotidiano,
habito, instantaneamente,
o universo paralelo do meu peito.
Em um lampejo eterno de segundo,
reviso lágrimas e sorrisos;
dias ensolarados de êxtase
e tempestades de tristezas.
Revejo sonhos, propositalmente
esquecidos na frustração do tempo.
Reacendo lembranças boas,
Mantidas, bem guardadas,
para casos de sobrevivência.
Reanimo os amores que carrego
na asfixia do meu peito.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Marta Ferreira
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
MUDANÇAS

Não é possível reter a voz das intempéries
quando ela chega ao vértice da vigência da vida.
Ela sibila bem trajada de metáforas,
adornada de analogias, para disfarçar
os olhos desavisados.
Mas com o som que ecoa implorante de mudanças,
pode-se pressentir o chamamento retumbante da vida.
Mudanças assinalam a próxima tempestade,
reiterando a urgência dos sonhos.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Street Dog
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
VOO
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
REFÉM
segunda-feira, 5 de julho de 2010
HERÓIS

Inspirei-me na Odisséia de Homero
Para versejar meus sonhos;
Invoquei a força de Hércules para realizá-los.
Mas em algum momento,
A saudade abateu-se sobre mim,
Anulando a força dos meus heróis e
Quebrando todo o encanto que havia.
Tornei-me prisioneira,
Cativa de mim mesma,
Perdida, no labirinto dessa saudade.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Julio Cezar Ramos Lobo
domingo, 4 de abril de 2010
ESCOLHA
quinta-feira, 18 de março de 2010
PRESSA

Sublinho o horizonte
com as pegadas da minha retina;
contorno-lhe de metáforas,
vislumbrando um nascente
significativo de urgências.
O tempo não desliza languidamente
sobre os meus dias,
mas urge, numa pressa
devoradora de vida.
É preciso retomar
a trilha do amanhã,
que se insinua
em algum lugar do entardecer.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Fernando Varela
terça-feira, 2 de março de 2010
INSÔNIA

Castelos de insônia
sombreavam a orla
da minha noite
à frente de um mar de silêncios
Onde meu sono
não anoitecia
nem amanhecia...
Longe, na pátria
dos desejos,
sereias faziam juras,
lançavam-me encantamentos...
mas meu coração
não cedia!
Passei a noite
de olhar a noite
enquanto lá
no mirante das estrelas
O tempo desfraldava -
lentamente -
um outro dia.
Jaime E. Cannes
Em Tarô para a Autotransformação e a Cura
Imagem Osho Zen Tarô
domingo, 20 de setembro de 2009
NO WHERE
domingo, 9 de agosto de 2009
E chega um dia...

E chega um dia em que reconhecemos
finalmente
a injustiça das palavras -
exactamente as mesmas
para quem vai e para quem fica
um dia
em que não há mais passado para contar
nem mais futuro para viver
apenas uma velha cantiga a embalar
uma casa desaparecida
e este limbo ocasional
onde o corpo
espera que anoiteça
Alice Vieira
Em 'O Que Dói às Aves'
Foto Carla Salgueiro
domingo, 19 de abril de 2009
REVOADA

Mergulhei na revoada
multicolorida das borboletas,
na ânsia de confundir-me com elas.
Eram tantas asas sussurrando
em meu ouvido, que recordei
a iminência da liberdade
já traçada em meu peito.
Eram tantas asas,
que pude sentir
a leveza do pensamento,
há muito já alado,
aguardando somente o sopro
transparente de uma tal liberdade.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Alberto Marques
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Busca

Quantos rosários de oração
hei de desfiar no silêncio das mãos?
Prece a prece, os dedos urgem
a proclamação de uma paz
jamais vista, jamais alcançada
na hesitação da vivência.
Os olhos testemunham tristes
a ansiedade que adormece
na busca dessa paz apaziguadora
das insistentes angústias.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Cesar Guizzo
quinta-feira, 19 de março de 2009
Estações

Foi o outono, eu sei,
que esculpiu em meu rosto
as delicadezas do cansaço.
Foi ele que sulcou a minha pele
para arar de lucidez
a minha última estação.
O verão, tão próspero de vida,
não retornará à minha existência.
Mas poderei me aquecer
com a lenha de sentimentos,
que ainda arde em meu peito.
É com ela que construo fogueiras
e aqueço as lembranças
das estações passadas.
Elizabeth F de Oliveira
Foto Vanessa Schwark
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