sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ZHONGWEN 中文




                                                               para Hua Zhen





O chinês é um canção
ressoando na cítara do tempo.
Sua entonação,
reverberação de significado:
eco enigmático de
milenar sabedoria
audível  num  labirinto
de monossílabos e silêncios.






Elizabeth F. de Oliveira


Agradeço imensamente a Hua Zhen pela tradução desse poema para o chinês, com a qual fui agraciada. 




中文


时间
琴声
流淌
语调
混合
回响
神秘
声音回响
迷宫
沉寂





Eu mesma havia feito a tradução para o inglês para que ela pudesse compreender o poema que havia originalmente escrito em português.





ZHONGWEN 中文  



                                                                 to Hua Zhen 


Chinese is a song
resounding upon the zither of time.
Its intonation,
meaning reverberation:
enigmatic echo
of a millenial wisdom 

audible in a maze
of monosyllables and silences. 






 Elizabeth F. de Oliveira




Zhongwen é a transliteração da palavra 'chinês' (idioma) em chinês. 








quarta-feira, 10 de junho de 2015

FLUTUAÇÕES







Comungo silêncios,
ausências 
e palavras indizíveis.
Tácita, navego
nas ondulações 
do pensamento:
nem sempre calmaria,
quase sempre tormento.
Divago em vagas,
flutuações
de uma eternidade 
evanescente.










Elizabeth F. de Oliveira






quarta-feira, 27 de maio de 2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

CINZA




As pedras da minha infância
são cinzas
paralelepípedos da memória
lembranças duras de dentro.
As pedras da minha infância
pintaram de cinza
a cor dos dias
fizeram do futuro
um tempo escuro de viver.
As pedras da minha infância
são agora o meu chão
(caminho de revés)
com todo esse cinza
debaixo dos pés.









Elizabeth F. de Oliveira



sexta-feira, 24 de abril de 2015

DESERTOS








Muitos desertos me habitam:
tenho os cabelos
tingidos de ocaso
e a pele tatuada
pelo nomadismo das areias.
A aurora
em mim inexiste
porque o sol sempre sangra
em meu peito.
Regida pela solidão,
sigo
sem rumo,
sem retorno,
com a certeza
de que só o silêncio
me compreende.










Elizabeth F. de Oliveira






terça-feira, 7 de abril de 2015

EUTERPE

Euterpe




Minha musa
toca-me de lirismo
a  medula da emoção.
Tateia-me de poesia
o ventre da imaginação.
Minha musa
gesticula eufonia
ecos da mitologia
da idealização.
Minha musa
tua mão
Euterpe
da minha inspiração. 





Elizabeth F. de Oliveira




Euterpe, a Doadora de Prazeres do grego eu (bom, bem) e τέρπ-εω ('dar' prazer),  foi uma das nove musas da mitologia grega, as filhas de Zeus e Mnemósine, filha de Oceano e TétisEra a musa da Música. No final do período clássico, foi nomeada a musa da poesia lírica e usava uma flauta. Alguns consideram que tenha inventado a aulo ou flauta-dupla, mas a maioria dos mitólogos dão crédito a Mársias.
Fonte: Wikipedia




sexta-feira, 13 de março de 2015

CHEGADA







Retornas,
com a mochila
carregada de horizontes
de um lugar
que é toda parte,
sem fronteira, nem  destino.
Em tua pele
a geografia,
em tua alma
a etnia
dos  anseios
a lavrar na memória
cada chão
que teus pés registram
nas pegadas  
do próprio nomadismo. 






Elizabeth F. de Oliveira




quarta-feira, 4 de março de 2015

DALÍ



Tarô de Dali (Roda da Fortuna)





Surreal
essa linha
que singra de infinito
contornos,
distâncias que guardam
oníricos segredos.
A Roda gira
abismos de ternura
enquanto o Sol flutua
no céu do contentamento.
Os relógios de Dalí
não controlam
as cartas do tempo,
quando o afeto
ganha nome
e a eternidade
resvala em si mesma.







Elizabeth F. de Oliveira



sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

TUAREGUE






Saara   sou
e tu,  tuaregue
do meu destino.
Persegues tua busca
fincando sobre mim
pegadas fustigadas
pelo nomadismo de tua linhagem.
E segues, com o olhar
perdido no horizonte
da alma,
sem suspeitar
que esse sol que nos une,
também nos condena.
O vento sussurra rotas
em teu ouvido
para que de mim jamais
te percas,
pois em minha solidão
te  abrigas
das intempéries da tua existência.






Elizabeth F. de Oliveira









sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SELVAGEM





Galopas teu destino
no dorso espesso da vida,
busca incessante de movimento.
Sob os pés,
o sabor de terras inéditas
a desbravar o território
impenetrável de ti.
Um espírito selvagem
segurando a crina do tempo
na ânsia de perscrutar
a etimologia do próprio ser. 







Elizabeth F. de Oliveira






terça-feira, 23 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL!







Neste Natal,
que a eufonia do silêncio íntimo
componha versos de paz
em tua poesia de Ser.





Elizabeth F. de Oliveira




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AD INFINITUM

                                       
Capa do cd 'Ad Infinitum' de V.A.



                                                                                   para Marco Lucchesi



O horizonte dos teus olhos:
Deus.
Sagrado, no islamismo
do teu assombro.
Eterno, nos desertos
do teu ser.
Indumentado  de infinito,
perscruta-te o céu
transliterado de estrelas,
porque é nelas que teus olhos
cravam a esperança
de alcançar
a intangível beleza
que já possuis.









Elizabeth F. de Oliveira

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

EM TEUS OLHOS

Graça Pires


                                                                                          para Graça Pires



Vejo poesia 
em teus olhos.
Em cada gesto,
um verso autêntico.
Nas mãos,
um  poema comovente.
Porque a poesia 
percorre-te as veias,
pulsando de metáforas
a memória do teu sangue, 
dotada de uma emoção sonora,
que se derrama 
suave e silenciosamente 
no reluzente
reflexo dos teus olhos.









Elizabeth F. de Oliveira






Uma pequena homenagem à grande poeta e amiga Graça Pires, pela ocasião de seu aniversário. 

Acessem:
Ortografia o Olhar      http://www.ortografiadoolhar.blogspot.com.br/
Wikipédia                  http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_Pires






segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AQUÁRIO





Derrama sobre mim
tuas águas,
aplaca minha sede
pisciana de ser.
Essa fonte
de águas cristalinas
nasce em teus olhos,
brota de tuas retinas
luz e transparência.
Numinosa existência
a jorrar de tuas mãos;
líquida essência
que me resgata
da desertificação.









Elizabeth F. e Oliveira