quarta-feira, 27 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
CINZA
As pedras da minha infância
são cinzas
paralelepípedos da memória
lembranças duras de dentro.
As pedras da minha infância
pintaram de cinza
a cor dos dias
fizeram do futuro
um tempo escuro de viver.
As pedras da minha infância
são agora o meu chão
(caminho de revés)
com todo esse cinza
debaixo dos pés.
Elizabeth F. de Oliveira
sexta-feira, 24 de abril de 2015
DESERTOS
Muitos desertos me habitam:
tenho
os cabelos
tingidos
de ocaso
e
a pele tatuada
pelo
nomadismo das areias.
A
aurora
em
mim inexiste
porque
o sol sempre sangra
em
meu peito.
Regida
pela solidão,
sigo
sem
rumo,
sem
retorno,
com
a certeza
de
que só o silêncio
me
compreende.
Elizabeth F. de Oliveira
terça-feira, 7 de abril de 2015
EUTERPE
| Euterpe |
Minha
musa
toca-me
de lirismo
a medula da emoção.
Tateia-me
de poesia
o ventre
da imaginação.
Minha
musa
gesticula
eufonia
ecos da
mitologia
da
idealização.
Minha
musa
tua mão
Euterpe
da minha
inspiração.
Elizabeth F. de Oliveira
Euterpe, a Doadora de Prazeres do grego eu (bom, bem) e τέρπ-εω ('dar' prazer), foi uma das nove musas da mitologia grega, as filhas de Zeus e Mnemósine, filha de Oceano e Tétis. Era a musa da Música. No final do período clássico, foi nomeada a musa da poesia lírica e usava uma flauta. Alguns consideram que tenha inventado a aulo ou flauta-dupla, mas a maioria dos mitólogos dão crédito a Mársias.
Fonte: Wikipedia
sexta-feira, 13 de março de 2015
CHEGADA
Retornas,
com a
mochila
carregada
de horizontes
de um
lugar
que é toda
parte,
sem
fronteira, nem destino.
Em tua
pele
a geografia,
em tua
alma
a etnia
dos anseios
a lavrar
na memória
cada
chão
que teus
pés registram
nas
pegadas
do
próprio nomadismo.
Elizabeth F. de Oliveira
quarta-feira, 4 de março de 2015
DALÍ
![]() |
| Tarô de Dali (Roda da Fortuna) |
Surreal
essa
linha
que
singra de infinito
contornos,
distâncias
que guardam
oníricos
segredos.
A Roda
gira
abismos
de ternura
enquanto
o Sol flutua
no céu
do contentamento.
Os
relógios de Dalí
não
controlam
as
cartas do tempo,
quando o
afeto
ganha
nome
e a
eternidade
resvala
em si mesma.
Elizabeth F. de Oliveira
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
TUAREGUE
Saara
sou
e tu, tuaregue
do
meu destino.
Persegues
tua busca
fincando
sobre mim
pegadas
fustigadas
pelo
nomadismo de tua linhagem.
E
segues, com o olhar
perdido
no horizonte
da
alma,
sem
suspeitar
que
esse sol que nos une,
também
nos condena.
O
vento sussurra rotas
em
teu ouvido
para
que de mim jamais
te
percas,
pois
em minha solidão
te
abrigas
das
intempéries da tua existência.
Elizabeth F. de Oliveira
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
SELVAGEM
Galopas
teu destino
no
dorso espesso da vida,
busca
incessante de movimento.
Sob
os pés,
o sabor de terras inéditas
a desbravar o território
impenetrável
de ti.
Um
espírito selvagem
segurando
a crina do tempo
na
ânsia de perscrutar
a etimologia do próprio ser.
Elizabeth F. de Oliveira
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
FELIZ NATAL!
Neste Natal,
que a eufonia do silêncio íntimo
componha versos de paz
em tua poesia de Ser.
Elizabeth F. de Oliveira
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
AD INFINITUM
para Marco Lucchesi
O
horizonte dos teus olhos:
Deus.
Sagrado,
no islamismo
do
teu assombro.
Eterno,
nos desertos
do
teu ser.
Indumentado
de infinito,
perscruta-te
o céu
transliterado
de estrelas,
porque
é nelas que teus olhos
cravam
a esperança
de
alcançar
a
intangível beleza
que
já possuis.
Elizabeth F. de Oliveira
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
EM TEUS OLHOS
![]() |
| Graça Pires |
para Graça Pires
Vejo
poesia
em teus olhos.
em teus olhos.
Em
cada gesto,
um
verso autêntico.
Nas
mãos,
um
poema comovente.
Porque
a poesia
percorre-te as veias,
percorre-te as veias,
pulsando de
metáforas
a
memória do teu sangue,
dotada de uma emoção sonora,
que se derrama
suave e
silenciosamente
no reluzente
reflexo
dos teus olhos.
Elizabeth F. de Oliveira
Uma pequena homenagem à grande poeta e amiga Graça Pires, pela ocasião de seu aniversário.
Acessem:
Ortografia o Olhar http://www.ortografiadoolhar.blogspot.com.br/
Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_Pires
Uma pequena homenagem à grande poeta e amiga Graça Pires, pela ocasião de seu aniversário.
Acessem:
Ortografia o Olhar http://www.ortografiadoolhar.blogspot.com.br/
Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_Pires
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
AQUÁRIO
Derrama
sobre mim
tuas
águas,
aplaca
minha sede
pisciana
de ser.
Essa
fonte
de
águas cristalinas
nasce
em teus olhos,
brota
de tuas retinas
luz
e transparência.
Numinosa
existência
a jorrar de tuas mãos;
líquida
essência
que
me resgata
da
desertificação.
Elizabeth F. e Oliveira
terça-feira, 28 de outubro de 2014
LUZ
Somos
estrelas
de
algum céu,
nômades
do destino.
Constelamos
no acaso
de
Deus,
atraídos
pelo brilho
das
esferas.
Cintilamos
na órbita
de
nossos sonhos,
enleados
por essa luz
que
se propaga
desde
as retinas
até
o infinito de ser.
Elizabeth F. de Oliveira
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
INCONSCIENTE COLETIVO
Quando partir,
o farei pela palavra
pois é ela o caminho,
a
verdadeira jornada
para
um mundo novo,
conceitual,
bem distante do habitual.
Nele, ideias e ideais
se
fundem
num
turbilhão de infinito,
em
codificados sinais
diferente desse solo
que habito
que habito
na
composição do poema.
Deixarei
de ser carne
para me tornar teorema,
um
salto quântico
do instinto
ao
patamar do espírito,
nesse
fluxo incessante,
inconsciente e coletivo.
Elizabeth F. de Oliveira
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
REDENÇÃO
A
poesia foi cravada
em
tua mão:
estigma
missão.
Quando
a palavra inextinta
te
escorre pela mão,
peregrinas
a absolvição.
Porque
a poesia
é
sagrada via,
gesto
de redenção.
Elizabeth F. de Oliveira
sexta-feira, 18 de julho de 2014
MÃOS ALADAS
Mãos
não voam,
eu
sei.
Porém,
quando me deparo
com
as tuas,
vislumbro
nelas
a
intrínseca capacidade de voar.
Não
com asas comuns
cobertas
de penas,
mas de palavras,
lançando-as
na imensidão
do
azul-lírico do teu firmamento
e
fazendo-as alcançarem
a infinitude
de significados
que
ecoam nos quatro cantos
do
teu uni(verso).
Um
voo de rara beleza esse,
que
somente tuas mãos realizam
nesse
horizonte próprio,
cujo
sol é a metáfora mais vívida
de
ti.
Elizabeth F. de Oliveira
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