quarta-feira, 16 de abril de 2008

A Outra Margem do Tempo XXXIX


Os flamboaiãs tecem um sopro de cores,
de partituras vivas a incandescerem
o azul, o incêndio da manhã aberta.
Todo o esquecimento, as ruínas
e os escombros do vivido, o fracasso
de não reter as semeaduras e os ventos,
silenciaram-se, súbitos, ante essa floração
mais viva que o tempo. Os flamboaiãs
ensinam-me a não morrer, a pulsar
mais que a efêmera passagem dos barcos,
dos pássaros em perene exílio. Inscrevo-me
nesse pólen, nessas chamas a inaugurarem
uma luz mais plena que a do sol.
Batizo-me nos galhos onde principiam
os astros e os quatro pontos cardeais.
Os flamboaiãs tecem, em mim, um outro
tempo, instante vivo de todas as florações.







Alexandre Bonafim
www.arquipelagodosilencio.blogspot.com
Foto Fernando Gabeira

5 comentários:

Kijar disse...
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Alexandre Bonafim disse...

Fico muito comovido por ver meu poema em sua página. Essa humilde homenagem faz-me acreditar ainda mais na poesia e nos poetas. Agradeço-lho por essa demonstração de afeto. Se você quiser, posso mandar-lhe o livro, no qual se encontra esse poema, o livro com o nome A outra margem do tempo. Manda alguma endereço postal para o seguinte e-mail: alexandrebonafim@hotmail.com
Dessa forma, ao enviar a obra, concretizo o meu sentimento de gratidão. Grande abraço do Alexandre Bonafim

Graça Pires disse...

"Os flamboaiãs ensinam-me a não morrer, a pulsar mais que a efêmera passagem dos barcos,
dos pássaros em perene exílio."
É lindíssimo, não é? O Alexandre enviou-me o livro que é todo ele muito bonito. Beijos.

JoJosho disse...
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Anônimo disse...

Thanks :)
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