segunda-feira, 5 de março de 2012

MÍTICO





Percorro as palavras
num ritual antigo,
ancestral das minhas emoções,
para nomear o teu lendário regresso.
Porque são as palavras
o invólucro perfeito do desejo,
a redoma mantenedora
de todos os significados.
E neste universo de infinitas
etimologias, preservo intacta
a semântica da tua imagem,
já mítica,
no esboço da minha memória.





Elizabeth F. de Oliveira
Foto Ricardo Almeida

6 comentários:

Nascente disse...

"Porque são as palavras
o invólucro perfeito do desejo,
a redoma mantenedora
de todos os significados."

Belíssimo!

A propósito, me fez lembrar de um poema de Manoel de Barros:
---
"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo."
---
As suas, por exemplo, "vivem de barriga no chão" de tão palpáveis que são.
===
Grata pelo carinho da sua visita.

Beijos,
Inês

Dois Rios disse...

Ops! Não percebi que estava logada na minha conta particular, ao fazer o comentário anterior.

Desculpe o engano.

Beijos,

Inês

Graça Pires disse...

Um poema onde as palavras são o objecto do poema. Um modo de dizer que elas são o pleno indicador da lembrança, dos sonhos e das emoções.
Muito conseguido e belo este poema, minha querida Elizabeth.
Um beijo grande.

O Árabe disse...

"São as palavras o invólucro perfeito do desejo". Perfeito! Boa semana, amiga.

Nilson Barcelli disse...

As palavras ajuda a definir muitos dos contornos das imagens que precisamos na memória.
Excelente poema. Gostei muito.
Elizabete, querida amiga, tem um bom resto de semana.
Beijos.

vieira calado disse...

Olá, como está?

Gostei do poema e daqui lhe envio

saudações poéticas!