
Percorro as palavras
num ritual antigo,
ancestral das minhas emoções,
para nomear o teu lendário regresso.
Porque são as palavras
o invólucro perfeito do desejo,
a redoma mantenedora
de todos os significados.
E neste universo de infinitas
etimologias, preservo intacta
a semântica da tua imagem,
já mítica,
no esboço da minha memória.
Elizabeth F. de Oliveira
Foto Ricardo Almeida
6 comentários:
"Porque são as palavras
o invólucro perfeito do desejo,
a redoma mantenedora
de todos os significados."
Belíssimo!
A propósito, me fez lembrar de um poema de Manoel de Barros:
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"Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo."
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As suas, por exemplo, "vivem de barriga no chão" de tão palpáveis que são.
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Grata pelo carinho da sua visita.
Beijos,
Inês
Ops! Não percebi que estava logada na minha conta particular, ao fazer o comentário anterior.
Desculpe o engano.
Beijos,
Inês
Um poema onde as palavras são o objecto do poema. Um modo de dizer que elas são o pleno indicador da lembrança, dos sonhos e das emoções.
Muito conseguido e belo este poema, minha querida Elizabeth.
Um beijo grande.
"São as palavras o invólucro perfeito do desejo". Perfeito! Boa semana, amiga.
As palavras ajuda a definir muitos dos contornos das imagens que precisamos na memória.
Excelente poema. Gostei muito.
Elizabete, querida amiga, tem um bom resto de semana.
Beijos.
Olá, como está?
Gostei do poema e daqui lhe envio
saudações poéticas!
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