quarta-feira, 4 de setembro de 2013

LABIRINTO DO TEMPO







Esquecida estou
nesse labirinto do tempo.
Rasgam-se séculos
por esses corredores 
que são o meu périplo.
Deambulo solitária
sem respostas ou salvação;
essa clausura imposta
tem o peso de alguma maldição.
Perco-me na condenação
desses corredores sem fim
mas perdida mesma
estou é dentro de mim
nesse espaço-tempo
que não vigora
onde as noites prevalecem
sobre a aurora,
labirinto dentro de mim.
E quando acordo
desse cárcere onírico
sinto meus pés
nesse espaço físico,
frio e sem saída
do labirinto do tempo
onde me encontro
indefinidamente perdida.




Elizabeth F de Oliveira
Arte de Salvador Dali





8 comentários:

Nádia Dantas disse...

Profundas reflexões...
O tempo - "compositor de destinos"-vai tecendo suas marcas na vida de cada um.

Parabéns pelo poema, Elizabeth!

Abraço :)

Nilson Barcelli disse...

É pior perdermo-nos dentro de nós do que no meio da selva do quotidiano que nos rodeia...
Excelente poema, gostei muito.
Elizabeth, minha querida amiga, tem um bom domingo e uma boa semana.
Beijo.

Vieira Calado disse...

Lá que o tempo é um autêntico labirinto, uma armadilha, lá isso é!
E é difícil escolher o caminho, para a vida plena.
Mas é preciso voltar a tentar...
Beijinho para si!

A.S. disse...

Querida Beth;

No labirinto do tempo, apenas a poesia é uma nómada referência!...


Beijos!...
AL

Dilberto L. Rosa disse...

A riqueza imagética dos teus versos continua incrível: o sonho dentro do sonho, a prisão por dentro de outra e o tempo, senhor implacável e onipresente... Lindo, parabéns! E a construção "mas perdida mesma/ estou é dentro de mim/ nesse espaço-tempo/ que não vigora/ onde as noites prevalecem/
sobre a aurora,/ labirinto dentro de mim." são de um lirismo digno de nota: mereciam uns bons acordes djavanianos, visse?! Bravo! Qual o poeta (ou poetisa, rs) não vive dentro deste labirinto diuturnamente (mais à noite que de dia, que se repete e se repete e se repete...)?! Meu abraço, meu humilde agradecimento diante de tão ricas palavras gentis sobre meu escrever na tua última visita e o meu convite para comemorares São Luís por suas pontes feias e imprecisas...

Aureliano disse...

Olá, Elizabeth

O labirinto do tempo é nosso caminho. Mas nem tudo se perde, pois buscamos sempre novas saídas, e essa busca já é uma espécie de encontro com nós mesmos.
Abraço,

Aureliano.

José Sousa Vieira disse...

Os sentimentos espelham-se na sua poesia com encanto, com harmonia.

Nilson Barcelli disse...

Reli o poema com o mesmo gosto da primeira vez.
Elizabeth, tem um bom fim de semana.
Beijo.